Durante os sete anos de gestão da governadora Fátima Bezerra (PT), a educação pública do Rio Grande do Norte mergulhou em uma das suas fases mais críticas. O que começou com promessas de valorização do ensino e investimento na rede estadual resultou em greves prolongadas, queda no número de matrículas, estrutura precária nas escolas e o pior desempenho do Brasil no IDEB. No centro dessa crise está a secretária de Educação do Estado, Maria do Socorro Batista, cuja condução da pasta tem sido alvo de críticas severas por parte de professores, especialistas e sindicatos.

O governo estadual deixou de cumprir uma das obrigações mais básicas impostas pela Constituição: o investimento mínimo de 25% da receita na educação. Em 2021, aplicou apenas 23,65%, o que gerou um déficit de R$ 156 milhões. Até hoje, pouco mais de R$ 45 milhões foram compensados, restando uma dívida de mais de R$ 110 milhões com o setor educacional. Para o Sindicato dos Servidores da Administração Direta (Sinsp-RN), esse descumprimento representa uma afronta aos direitos da população e um crime contra o futuro do estado.
Sob a gestão de Socorro Batista, o sistema educacional estadual viu crescer o descontentamento da comunidade escolar. Em fevereiro de 2025, professores entraram em greve cobrando o reajuste do piso nacional e o pagamento de retroativos. A proposta do governo — reajuste de 6,27%, dividido entre abril e dezembro — foi considerada desrespeitosa. Pior: o governo se recusou a pagar os valores atrasados dos anos anteriores, ferindo acordos prévios e aumentando o clima de tensão com a categoria. Professores também denunciaram o desvio de função, a contratação irregular de temporários e a sobrecarga de trabalho, agravando a já combalida estrutura do ensino estadual.
A situação das escolas é alarmante: salas de aula sem ventilação, infraestrutura deteriorada, falta de materiais pedagógicos e merenda escolar insuficiente. Entre 2019 e 2024, o número de alunos matriculados despencou de 216 mil para 183 mil, uma perda de mais de 33 mil estudantes. Mesmo com essa queda, o governo não conseguiu reorganizar a rede nem valorizar os profissionais que continuam em sala de aula.
O reflexo dessa má gestão apareceu nos indicadores nacionais. O Rio Grande do Norte amargou, em 2023, o pior IDEB do ensino médio do Brasil pelo segundo ciclo consecutivo, alcançando a nota 3,2 — muito abaixo da média nacional. Mesmo diante do colapso, a secretária Socorro Batista insistiu em declarações otimistas, falando em “avanços na formação de professores e uso de tecnologia”, declarações que foram recebidas com revolta por quem vivencia o abandono cotidiano nas escolas.
A tensão entre o governo e os profissionais da educação atingiu seu ápice na Assembleia Legislativa. Professores ocuparam as galerias e vaiaram a governadora durante a leitura da mensagem anual, denunciando o colapso de mais de 500 escolas em greve e o prejuízo a cerca de 190 mil alunos. A movimentação nas ruas, com atos públicos, cafés com protesto e paralisações, escancarou o abismo entre o discurso oficial e a realidade enfrentada pela rede estadual.
Hoje, o sentimento é de frustração e abandono. A educação potiguar vive um momento de profundo retrocesso, fruto de escolhas políticas equivocadas e de uma gestão que se distanciou completamente dos compromissos com a qualidade do ensino. A condução da secretária Socorro Batista, longe de representar solução, se tornou símbolo do fracasso administrativo que jogou a educação do Rio Grande do Norte no fundo do poço.


