A campanha eleitoral em Natal ficou ainda mais tensa na reta final, e um episódio envolvendo a deputada federal Natália Bonavides, candidata a prefeita derrotada, chamou a atenção. Em um ato considerado desesperado, Natália publicou em seu Instagram um print de uma conversa de WhatsApp com o prefeito Álvaro Dias, no qual expôs o número pessoal da vice-prefeita eleita, Joanna Guerra. Na época, Joanna exercia o cargo de secretária de Planejamento e vinha sendo peça-chave na administração da cidade.

A exposição dos dados pessoais de Joanna levantou questões sobre a prática e suas implicações legais. Segundo a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), o número de telefone é considerado um dado pessoal, e seu compartilhamento sem consentimento pode configurar tratamento indevido de dados, prática passível de sanções. Desde a divulgação do número, Joanna tem recebido inúmeras mensagens e ligações com teor ofensivo, incluindo ameaças.
Na manhã desta terça-feira (29), Joanna Guerra, em entrevista, relatou a dificuldade que tem enfrentado desde o incidente, destacando o impacto das mensagens e ligações indesejadas. “É um episódio lamentável e que demonstra um padrão preocupante, onde apenas algumas situações são tratadas com seriedade por certas figuras políticas”, disse a vice-prefeita eleita.
O ocorrido gerou críticas entre aliados de Joanna, que apontaram uma falta de coerência por parte de Bonavides e do grupo político que ela representa. Quando são eles os afetados, qualquer ação é amplificada como um ataque pessoal e político; quando afeta o outro lado, é ‘mimimi’. Não podemos escolher a quem a lei deve ou não deve proteger.
Em uma situação recente, a própria Natália Bonavides relatou ter recebido ameaças via redes sociais, o que mobilizou uma ampla defesa entre seus aliados e ganhou repercussão nacional. “Mexeu com uma, mexeu com todas”, era o lema. Onde está essa defesa agora?
A situação levanta discussões sobre respeito e equidade no tratamento dos direitos pessoais, deixando uma pergunta no ar sobre a seletividade de alguns discursos. Joanna Guerra já sinalizou que pretende levar o caso adiante, garantindo que a LGPD e a privacidade sejam respeitadas, independente de lados políticos.


